Ela correu para o banheiro, ligou o chuveiro, tirou as roupas e colocou uma música.
A música não a faria dançar e muito ao contrário.
Uma única música se repetiu pelos 20, 40, 60 minutos em que permaneceu ali...
Ela queria que as lágrias se misturassem com a água que escorria pelo chuveiro,
Que o som do seu choro se escondesse por trás da música.
Muito mais que lavar o corpo ela queria lavar a alma.
Chorou medos, angustias, decepções, ansiedade... Chorou uma vida.
Os joelhos fraquejaram, mas havia paredes para as mãos.
Ela curvou-se e as lágrimas pareciam arrancar a alma.
Eram como ácido nas feridas e era impossível conte-las.
Águas que lavavam as lágrimas e as levavam longe.
Ela acreditava naquilo.
Ela havido sido forte até então e não poderia fraquejar.
Ela havia fugido de sentimentos e não poderia permitir-se ser encontrada.
Ela esteve sozinha por tempos, mas desejava ser vista por trás daquela armadura.
Queria ser amada, queria um pouco de forças, queria colo.
Mas só sabia ser força.
Ela havia desaprendido o amor.
Desaprendido a ser cuidada. Aprendeu a viver por si só.
Ela era a mulher independente, corajosa, ousada, segura.
Aquela que não tinha medos, com domínio sobre sentimentos e emoções.
Ela era! Deixou de ser quando desejou ser fraca por um instante que fosse.
Tudo desmoronou.
Ela olhou seu quebra-cabeça desmoronado novamente.
Chorou!
Chorou a dor da bagunça que ela havia permitido.
Chorou a dor de ter que se arrumar sozinha novamente e tudo de novo.
Chorou estar sozinha.
Ela chorou os beijos que havia trocado, as lembranças de momentos que não voltariam...
Chorou a saudade que já caminhava ao seu encontro.
E de mãos dadas com a dor, tornou-se toda dor. Eles caminhariam juntos novamente.
Ela olhou para trás com lágrimas nos olhos seguiu.
Dor de desapego, lágrimas de saudade...
Dor do novo de novo!
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