Ela desligou o mundo.
Ela sorria serenamente lembrando-se das dores passadas e das presentes.
Ela havia relido tudo que havia passado e custou a acreditar que havia sofrido tanto.
No lembrar da dor que já era apenas uma cicatriz ela sentiu saudades.
Saudades de ter saudades. Saudades de se sentir cheia, mesmo que de sofrimento.
Olhava pra dentro de si e sentia-se vazia... O coração estava vazio.
Ela estranhava aquela sensação. Sempre inquieta e de repente um nada!
Não que ela não tivesse com o que se preocupar ou com o que se alegrar, mas a paz que ela tanto quis estava agora por gerar um outro tipo de inquietude.
Ela chorou porque ela fugia de querer preencher o coração. Ela chorava porque não encontrava como arrumar tudo de novo e não! Ela não estava atrás de sofrimento, ninguém busca isso por vontade, ela muito menos, mas ela queria um motivo a mais, apenas um a mais.
Ela queria um olhar a mais, um toque a mais, uma alma a mais.
Ela queria ser o reflexo, ser o sorriso, a alegria a cia...
Um histórico de muitas dores e talvez ela tivesse se acostumado a sofrer.
Talvez ela fosse a exceção de querer um pouco mais de dor pra não ter que lidar com o vazio que acabava com seu peito, que o fazia doer além.
Ela talvez, nunca tivesse tido que lidar com esse sofrimento.
Olha só! Ela tanto quis que achou um sofrimento a mais, mas o vazio tinha forma de abstrato e ela não conseguiria tocar. Sentia-se mais sozinha.
Ela não possuía lembranças do vazio. Sem referencias isso a machucava, ela estava perdida em um NADA!
Sorria e chorava ao mesmo tempo.
O mundo permanecia desligado e a música se repetia e repetia e repetia
Seu mundo ia ganhando vida tornando a realidade menos atraente.
Ela queria ir alem do abstrato e talvez amiga do vazio. Ele machucava demais, ainda assim ela ainda insistiu. Ela insiste.
Talvez o vazio precise apenas que não desistem dele.
Talvez o vazio que precise ser amado...
O abstrato foi tomando forma.
Mais um sorriso e então tudo ganhou vida.
Ela amou o vazio fechou os olhos e acordou.
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